Papa na Polônia: acolher quem foge da guerra e da fome

Papa na Polônia: acolher quem foge da guerra e da fome

Durante a viagem, como faz habitualmente, enviou telegramas aos Chefes de Estado dos países sobrevoados: Itália, Croácia, Eslovênia, Áustria e Eslováquia.

Após a cerimônia de boas vindas no aeroporto, o Bispo de Roma se dirigiu de papamóvel ao Castelo de Wawel, onde manteve um encontro com as autoridades civis e religiosas e o Corpo Diplomático, num total de 800 pessoas.

Em seu discurso, o Papa cumprimentou e agradeceu a todos pela acolhida generosa e as amáveis palavras de boas vindas. E afirmou:

“É a primeira vez que visito a Europa Centro-Oriental e fico feliz por começar da Polônia, que, entre os seus filhos, nos deu o inesquecível São João Paulo II, idealizador e promotor das Jornadas Mundiais da Juventude. Ele gostava de falar da Europa que ‘respira com seus dois pulmões’.”

O sonho de um novo humanismo europeu – disse o Pontífice - é animado pelo respiro criativo e harmônico destes dois pulmões e pela civilização comum, que afunda suas raízes mais sólidas no cristianismo.

Uma das características do povo polonês é a “memória” – recordou Francisco – que sempre ficou encantado pela história de João Paulo II. Quando ele falava dos povos, partia sempre da sua história, buscando ressaltar seus tesouros humanos e espirituais.

Nesta perspectiva, o Bispo de Roma recordou os mil e cinquenta (1050) anos do Batismo da Polônia, celebrados recentemente: foi um momento forte de unidade nacional, que confirmou a concórdia na diversidade das opiniões.

Não pode haver diálogo sem partir da própria identidade – frisou o Pontífice, que aprofundou o aspecto da “memória”:

“Na vida de cada dia dos indivíduos e da sociedade, há dois tipos de memória: a ‘boa e a má’, a ‘positiva e a negativa’. A ‘memória boa’ é mostrada pela Bíblia no Magnificat, o Cântico de Maria, que louva o Senhor e a sua obra de salvação. Mas, a ‘memória negativa’ é a que fixa, com obsessão, o olhar da mente e do coração no mal cometido pelos outros”.

Referindo-se à recente história do povo polonês, o Papa agradeceu a Deus porque soube fazer prevalecer a ‘memória boa’, com a celebração, por exemplo, dos cinquenta anos do perdão mútuo, dado e recebido pelos episcopados da Polônia e da Alemanha, depois da II Guerra Mundial.

A iniciativa envolveu, inicialmente, apenas as Comunidades Eclesiais, mas, depois, desencadeou um processo social, político, cultural e religioso irreversível, que mudou as relações entre ambos os povos.

Aqui, Francisco recordou ainda a Declaração Conjunta entre a Igreja Católica da Polônia e a Igreja Ortodoxa de Moscou, que deu início a um processo de aproximação e fraternidade entre as duas Igrejas, mas também entre os dois povos:

“Assim a nobre nação polonesa mostra como se pode desenvolver a ‘memória boa’ e rejeitar a ‘má’. Por isso, são necessárias uma esperança e uma confiança firmes em quem guia o destino dos povos, abre as portas fechadas, transforma as dificuldades em oportunidades e cria novos cenários até mesmo impossíveis”.

Neste sentido, - acrescentou o Santo Padre - a consciência do caminho percorrido e a alegria das metas alcançadas dão força e serenidade para enfrentar os desafios atuais: econômicos, ambientais e migratórios.

Este último exige um suplemento de sabedoria e misericórdia, para superar os temores e produzir um bem maior: acolhida dos que fogem das guerras e da fome; solidariedade com os que estão privados dos seus direitos fundamentais; direito de professar, com liberdade e segurança, a própria fé.

Por isso, - advertiu o Bispo de Roma - devem ser estimuladas as colaborações e as sinergias em nível internacional, para se encontrar soluções para os conflitos e as guerras, que forçam tantas pessoas a deixar as suas casas e a sua pátria:

“Trata-se, pois, de fazer o possível para aliviar os sofrimentos dos migrantes e trabalhar, com inteligência e sem cessar, pela justiça e a paz, dando testemunho dos valores humanos e cristãos. À luz da sua história milenária, convido a nação polonesa a olhar com esperança o futuro, em clima de respeito e de diálogo construtivo, favorecendo o crescimento civil, econômico e demográfico”.

O Papa concluiu seu discurso pedindo ao governo polonês políticas sociais apropriadas para a família, sobretudo as mais frágeis e pobres, e para a vida, que deve ser acolhida e protegida. “Que Nossa Senhora de Częstochowa abençoe e proteja a Polônia!” 

Depois do encontro com as autoridades civis e religiosas e o Corpo Diplomático, no pátio do Castelo de Wawel, o Santo Padre manteve um encontro particular com o Presidente da Polônia, Andrzej Duda.

Ao mesmo tempo, o Cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin, encontrou a Primeira Ministra polonesa, Beata Maria Szydlio, na presença do Substituto de Estado e do Núncio Apostólico e de duas autoridades governamentais.

Por fim, o Pontífice se transferiu à vizinha Catedral de Cracóvia, para um encontro com os Bispos da Polônia. Assim, o Papa conclui seu primeiro dia de atividades em terras polonesas. (MT)