Vida sábia

07/10/2015 23:48

Quem conduz a própria vida com sabedoria tem o maior de todos os tesouros e a mestra de todos os bens da natureza. Mas é preciso saber que tipo de sabedoria está sendo praticada. Não é sábio quem direciona tudo para fins egoístas e particulares. A verdadeira sabedoria está na capacidade de doação, de saída de si mesmo, de ida ao encontro do outro, principalmente mais necessitado de ajuda.

A verdadeira sabedoria é um dom marcado por gratuidade e generosidade, muito diferente das atuais ideologias de dominação e de perseguição, práticas muito comuns na cultura secularizada. O sábio consegue entender a grandeza das coisas e as respeita nas suas reais condições. Ele sabe dignificar as pessoas, a natureza e todos os bens que a compõe, para realizar seus objetivos.

É sábio quem coloca sua confiança em Deus, consegue ter despojamento e sabe valorizar a sabedoria que está, também, e principalmente, fora de si mesmo. Consegue entender que a raiz da sabedoria está na justiça e na verdade. Portanto, tem fundamentação bíblica e solidez na Palavra de Deus. Outro tipo de sabedoria não passa de prática estéril e contribui pouco com o bem comum.

A sabedoria está contida nos dons de Deus. O profeta Isaías fala do “dom da sabedoria” (Is 11,2), que dá sabor, conhecimento e possibilita a pessoa orientar sua vida seguindo os princípios de Deus. Orienta suas relações com os bens materiais, não deixando que as relações sejam vazias e prejudiciais para a vida.

A sociedade é interpelada quanto aos dissabores intestinos, que têm sido muito comuns no seu caminho, causando sofrimentos, insatisfações e revoltas. Muitas pessoas não estão sendo sábias diante de tantas oportunidades que as cercam. Canalizam suas forças para práticas insensatas e destruidoras.

Talvez o jeito sábio da pessoa viver esteja na capacidade de não se deixar escravizar pelo dinheiro. Ele é necessário, mas não representa a sabedoria essencial para uma vida feliz. A pessoa sábia é aquela que se esforça para fazer o bem sempre e em todo lugar.

Por Dom Paulo Mendes Peixoto – Arcebispo de Uberaba (MG)