Ano da Misericórdia

02/03/2016 10:58

O Ano da Misericórdia teve seu início no dia 8 de dezembro e sua conclusão se dará no dia 20 de novembro de 2016, Solenidade de Cristo Rei. 
  Há quem receie que o Ano Santo ressoe como uma acomodação da Igreja ao espírito do mundo. Ao acentuar a misericórdia, o papa Francisco estaria esquecendo a justiça que pune. É provável que haja pessoas que pensem assim: "Ah! Deus é misericordioso. Ele fecha os olhos para os pecados do pobre ser humano. Com esse Papa tudo é válido!".

Por trás dessa maneira de pensar, há certo entendimento de que progresso significa liberdade sem limites. Há quem pense que legalizar aborto é progresso, legitimar qualquer união como casamento é progresso e pense que proteger a vida do nascituro desde seu início, educar as crianças e os adolescentes para a virtude, ajudando-os a compreenderem o sentido da sexualidade e a importância do matrimônio e da família, é ser "conservador". Entenda-se: "conservador" se torna sinônimo de atrasado, fora de época. Já "progressista" se torna sinônimo de ser aberto, atualizado, avançado, alguém em concordância com as novidades do tempo presente. Em geral o "progressismo" se torna uma veste "bonita" para muitas coisas que são um verdadeiro retrocesso ético. Falam do direito ao aborto e justificam-no também com o argumento de que muitas mulheres morrem em consequência de abortos em clínicas clandestinas. Esquecem-se de dizer que o número de fetos assassinados impiedosamente  nas mesmas clínicas é muitíssimo maior. Em matéria de casamento e de família o progresso verdadeiro é aquele que o cristianismo trouxe e foi solenemente afirmado pelo recente Sínodo presidido pelo papa Francisco, sobre a família. 
  
Mas afinal em que consiste a misericórdia? “Vendo que a multidão de pessoas que O seguia estava cansada e abatida, Jesus sentiu, no fundo do coração, uma intensa compaixão por elas"  Mct. 9, 36). No coração de Cristo a dor do outro. 
  
E, quando se trata do olhar de Deus para o pecador, o olhar não é de acusação, mas de compaixão. Compaixão como a de uma mãe que sente em seu coração a dor de ver seu filho se destruindo no vício, na ilusão de ser feliz. Cristo, na Cruz, é o rosto misericordioso do Pai voltado para nós. Doí-lhe ver-nos perdidos em nosso orgulho, aprisionados em nossas ilusões. Assim o papa São João Paulo II descreveu, ao comentar a experiência de abandono de Cristo na cruz, essa compaixão de Deus para conosco: "Precisamente pelo conhecimento e experiência que só Ele tem de Deus, mesmo neste momento de obscuridade Jesus vê claramente a gravidade do pecado e isso mesmo fá-lo sofrer. Essa compaixão faz Jesus oferecer sua vida para trazer-nos de volta ao coração do Pai. A misericórdia de Deus tem a força de converter-nos. "Nas parábolas dedicadas à misericórdia, Jesus revela a natureza de Deus como a de um Pai que nunca se dá por vencido enquanto não tiver dissolvido o pecado e superado a recusa com a compaixão e a misericórdia".(Bula MV. cf Lc 15,1-31). Ele não veio para condenar, para punir, veio para salvar. Oxalá, ao fazer a experiência da misericórdia de Deus para conosco, aprendamos a olhar o mundo com o olhar da compaixão. Que o pecado do mundo doa em nós, não porque nos ameaça, mas porque priva o mundo - as pessoas da alegria de Deus. Então que nossos joelhos se dobrem pedindo que a misericórdia do Pai converta os corações, os nossos e os de nossos irmãos todos, e cure as feridas que desfiguram o rosto da humanidade.

Vivamos assim esse tempo quaresmal no desejo  de que chegue a todos  o amor misericordioso do Pai.