A América Latina que Francisco vai encontrar, segundo Card. Parolin

02/07/2015 23:27

Cidade do Vaticano (RV) – Às vésperas da segunda viagem do Papa Francisco à América Latina, que terá início no próximo domingo (5/7), o Cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin, concedeu uma entrevista ao Centro Televisivo Vaticano, onde tratou dos principais temas que deverão guiar a viagem do Papa ao Equador, Bolívia e Paraguai.

 

Ao responder às perguntas de Barbara Castelli, o Cardeal Parolin retomou as palavras pronunciadas por Francisco na Basílica de São Pedro, em 12 de dezembro passado, na Solenidade de Nossa Senhora de Guadalupe. Citando a conhecida expressão do predecessor João Paulo II, que definia a América Latina o continente da esperança, Francisco explicou que dela “se esperam novos modelos de desenvolvimento que conjuguem tradição cristã e progresso civil, justiça e equidade com reconciliação, progresso científico e tecnológico com sabedoria humana, sofrimento fecundo com alegria esperançosa”. E nestes elementos o Secretário de Estado – que foi Núncio apostólico na Venezuela – identificou aquela que define “a fisionomia da América Latina” em geral e, em particular, também dos três países que o Papa visita.

Interpelado pela jornalista sobre o papel que esta parte do mundo pode desempenhar na Igreja e que impulsos pode oferecer à política internacional, o purpurado respondeu descrevendo um “continente em movimento”, no qual são evidentes “transformações a todos os níveis: cultural, económico e político. Durante estes decênios – observou – ele pôde usufruir de uma fase muito positiva, que permitiu que as pessoas emergissem da pobreza extrema, se emancipassem da miséria e se incorporassem progressivamente na classe média”. O purpurado citou ainda “os acentuados fenômenos de urbanização” que deram origem “às megalópoles da América Latina” e a “outros fenômenos ligados à globalização, que se sente de modo evidente também nesta parte do mundo”. Precisamente diante destes novos cenários, “que levam também a uma secularização da sociedade latino-americana, mesmo se em formas que não são homologáveis com o mundo ocidental, a Igreja escolheu o caminho da conversão pastoral, da missionariedade, do compromisso missionário. E neste sentido pode tornar-se paradigmática para muitas outras partes do mundo”. De resto, o próprio magistério do Papa aprofunda as suas raízes no documento de Aparecida, que com as suas referências à primazia da graça, à misericórdia e à coragem apostólica é proposto com Francisco a toda a Igreja universal.

No tocante aos aspectos políticos, o purpurado comparou a América Latina a “um laboratório no qual se estão experimentando novos modelos de participação e formas mais representativas”, para dar “voz às camadas de população que até agora não foram ouvidas o suficiente. Trata-se da busca de um próprio caminho para a democracia, que tenha em consideração as peculiaridades daqueles países; que saiba conjugar a participação de todos – por conseguinte o pluralismo – com as liberdades fundamentais e com o respeito dos direitos humanos”. (Osservatore Romano)